domingo, 28 de março de 2010

A crise política, a segurança nacional e as eleições de 2010


Vivemos um período de instabilidade política. Para aqueles, maiores de 50 anos, que viveram os “anos dourados” e buscam conhecer um pouco de política, é fácil perceber que o Brasil vive uma pré-crise institucional, muito parecida com a ocorrida nos anos 61/64. É claro que muitos poderão entender esta posição como alarmista, fatalista ou neurótica, mas, para aqueles que somente lêem uma página do noticiário, retrocedamos um pouco na história.

As origens

Ao final do século XVIII grandes transformações ocorreram no mundo, fazendo prevalecer as idéias liberais e seus defensores. No campo político, o liberalismo se manifestou pelo surgimento do ideal democrático, que conquistou a simpatia de grandes populações, promoveu revoluções e transformou-se em regime político de muitos países. Exemplo disso foram as revoluções americana, francesa e, posteriormente, as ocorridas na América Latina.

O liberalismo econômico fez surgir o capitalismo, sistema econômico baseado na propriedade privada dos meios de produção, na liberdade de iniciativa e na competição de mercado, originando o que passou a ser conhecida como Revolução Industrial.

A Revolução Industrial, por sua vez, transformou profundamente, as condições de trabalho do homem que saía da idade média. Os operários afastaram-se do lar e da família, ficando sujeitos aos horários e regulamentos do empregador. A saúde dos operários debilitou-se, pois passaram a viver a maior parte dos dias encerrados em ambientes insalubres. As mulheres abandonaram os lares e se descuidaram dos filhos. Esses, por sua vez, perderam a saúde e a moral, visto que se distanciavam da vigilância e da educação dos pais.

O Socialismo

O objetivo almejado pelo pensamento socialista era atingir uma sociedade ideal, onde houvesse uma perfeita consciência social, onde a exploração do homem pelo homem fosse substituída pela cooperação e as distinções entre as classes deixassem de existir. Repeliam toda ação política e, sobretudo, ações revolucionárias. Acreditavam que seus objetivos seriam alcançados pela evolução gradual da sociedade humana, que iria paulatinamente se aprimorando, até chegar a ela.

Os principais representantes desse pensamento foram o inglês Robert Dale Owen e os franceses Henri de Saint-Simon e Charles Fourier. Eles pregavam a harmonia social e a transformação do Estado num simples administrador de produção. Por seus pensamentos, passaram a ser conhecidos como socialistas utópicos, pois não apresentavam, na época, as soluções de como os erros do capitalismo poderiam ser corrigidos, nem tampouco como tal socialismo seria implantado.

No entanto, essa corrente de pensamento, aprimorada e adaptada, gerou o modelo hoje praticado em países do norte da Europa, como Suécia e Noruega. Lá, além do pluripartidarismo, da liberdade de oposição, de eleições livres e da alternância de partidos no poder, esta estrutura política combina-se com uma estrutura econômica voltada para o social, onde a intervenção do Estado se faz com grande intensidade, procurando corrigir as distorções da livre iniciativa, que ainda existe.

O pensamento comunista

Em meados do século XIX, começou a se desenvolver um novo modelo de socialismo, mais sistemático e, também mais radical. Seu principal representante foi Karl Marx que, em oposição ao socialismo utópico, denominou-o de “Socialismo Científico” ou “Comunismo”.

Em 1844, Marx conheceu outros pensadores revolucionários como Heine e Proudhon, e até revolucionários radicais como Frederich Engels, aquele que viria a ser seu companheiro e amigo por toda a vida. Em 1846, foi organizado, na Alemanha um encontro de comunistas, denominado “Liga dos Justos”, com a participação de Marx e Engels. Em 1847, confiou-se a eles a elaboração de um programa para que esse grupo. O trabalho foi organizado em poucas semanas e, no começo de 1848, foi publicado o Manifesto do Partido Comunista.

O Manifesto pregava a abolição da religião e afirmava que todas as teses socialistas só se tornariam realidade com a derrubada da soberania burguesa e a conquista do poder pela força, já que a burguesia jamais entregaria voluntariamente o poder que tanto lhe custara a conquistar e manter. Exemplo dessa prática foi a revolução russa, de 1917 e o assassinato de toda a família real. Também pregava:

· Expropriação da propriedade latifundiária e o emprego da renda em proveito do Estado;

· Aplicação de impostos progressivos;

· Abolição do direito de herança;

· Confisco da s propriedades de todos os emigrantes e sediciosos;

· Centralização do crédito na mão do Estado;

· Centralização, nas mãos do Estado, dos meios de comunicação;

· Confisco das armas particulares;

· Expropriação das terras improdutivas, etc.



Marx salientava a necessidade, inevitável, de um período político de transição, entre a tomada do poder e a implantação da sociedade comunista. Esse período de ajustes, do Estado, de eliminação de entraves ao novo modelo, teria de ser uma Ditadura Revolucionária do Proletariado, onde seriam adotadas todas as medidas necessárias ao novo sistema. Logo após a revolução russa Leon Trotsky foi encarregado dessa missão e, mais tarde, no poder, Josef Stalin determinou ao chefe de segurança política, Laurenti Beria, uma limpeza política, que chegou a eliminar 3 milhões de ameaças ao seu governo.

O trecho final do Manifesto do Partido Comunista é composto por palavras de conclamação: “Que as classes dominantes tremam à idéia de uma revolução comunista! Os pobres nada têm a perder nela, a não ser suas cadeias; tem o mundo a ganhar – Pobres do mundo, uni-vos!”

As internacionais socialistas

Os partidos políticos e entidades de esquerda, em todo o mundo, seguem orientações ideológicas distintas. Apesar de denominarem-se socialistas, ou comunistas, seguem orientações distintas e divergem entre si, de outras linhas de esquerda.

I Internacional socialista – realizada em 28 de setembro de 1864, com a criação da Reunião Internacional dos Trabalhadores, pregava a união das classes em benefício do socialismo. Seus seguidores criaram a “Comuna de Paris”, o 1º movimento revolucionário marxista, tendo tomado o poder da capital francesa em 1871, permanecendo no poder por 72 dias. Após derrotados na Europa, e de inúmeros desentendimentos entre seus membros, a sede da 1ª Internacional foi transferida para Nova York, até sua dissolução, em 1876.

II Internacional Socialista – Realizada em 1889, em Paris, contou com a participação ativa de Engels, seu fundador. Na segunda Internacional predominaram as posições do Partido Social-Democrata Alemão, que estabelecia a tomada do poder pelo voto e pela conscientização ideológica, evitando-se os conflitos. No Brasil, o Partido Democrático Trabalhista – PDT, e o Partido Socialista Brasileiro – PSB, são os que mais se alinham à filosofia da 2ª Internacional.

III Internacional Socialista – realizada no início de 1919, na Rússia, ocasião em que foi criado o Komintern, órgão permanente de difusão do Movimento Comunista Internacional, que tinha por objetivo difundir e coordenar a revolução comunista em todos os países do mundo. Pregava a luta armada como única forma de deposição da burguesia e, sob a orientação do PC russo, moveu revoluções, como a Coluna Prestes e a Intentona Comunista, ocorridas no Brasil, em 1935. Os partidos nacionais que se alinham a ideologia da III Internacional são: Partido Popular Socialista - PPS (ex-PCB), Partido Comunista do Brasil (PC do B), parte do Partido do Movimento Democrático Brasileiro - PMDB, e maioria do Partido dos Trabalhadores - PT.

IV Internacional Socialista – Essa organização foi criada em 1938, em Bruxelas, pelos seguidores de Leon Trotsky. Seu objetivo era opor-se à III Internacional e ao stalinismo, defendendo e divulgando a visão trotskysta de comunismo mundial. Trotsky defendia a idéia da revolução permanente, imediata, que só se deteria no momento em que todos os países fossem comunistas. A tática trotskysta, para essa revolução, era a violência urbana, com fortes apelos ao terrorismo. A IV Internacional não conseguiu, até hoje, ser vitoriosa em nenhum país, por isso não tem qualquer compromisso ou responsabilidade de natureza estatal a refrear sua ação revolucionária. Costuma infiltrar seus militantes em partidos legais e, no Brasil, já ostenta legendas compostas por seus militantes. Estão em parte do Partido dos Trabalhadores e no Partido Socialismo e Liberdade - PSOL e Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado - PSTU e Partido da Causa Operária - PCO.

A utilização da coexistência pacífica

Com a morte de Stalin, em 05 de março de 1953, assume o poder, na Rússia, o Secretário do partido Comunista Nikita S. Khruschev. Diante da possibilidade de um conflito com a grande nação do oeste (Estados Unidos da América) e seus aliados na Europa, que não aceitam o expansionismo soviético na Hungria, Polônia, Bulgária, Romênia e Alemanha Oriental, e a invasão militar da Tchecoslováquia, adota a “coexistência pacífica”, ou via pacífica, que estabelece novos rumos para a chegada ao poder.

A “via pacífica”, apresentada no XX Congresso do PC, em fevereiro de 1956, preconiza a infiltração de militantes comunistas em partidos e organizações legais; as coligações que permitam à chegada ao poder político; e a ocupação de cargos públicos. O objetivo será sempre a tomada do poder, com apoio popular e, instalado no poder, iniciar a conquista do poder, que de fato consolidará a ideologia comunista.

Tomada do poder – representa a possibilidade de concretização de chegada ao poder por meios pacíficos, somente através da subversão que, minando o poder, fará com que o mesmo se desmoralize e mude de mãos, sem o recurso da violência generalizada. O cenário político atual, em nosso país, é o maior exemplo dessa via;

Conquista do poder – representa a chegada ao poder por meio da força, pelo emprego da violência e pela eclosão da luta armada. O maior exemplo é a militarização do MST, preparando-se para as ações futuras, com ou sem a conquista do cargo maior, nas próximas eleições.

No cenário internacional, o governo chinês, liderado por Mao Tse Tung, não aceita o emprego da via pacífica, continuando a defender a emprego da revolução armada, partindo do campo para as cidades, modelo que foi utilizado em Cuba, por Fidel Castro e Guevara, e no Brasil pelas facções de esquerda, que lutaram no Araguaia, Caparaó, Registro e Monçuaba.

Estas decisões, no cenário internacional, causaram um racha no Movimento Comunista Brasileiro, gerando uma divisão no Partido Comunista Brasileiro – PCB e a criação de um novo, o Partido Comunista do Brasil – PC do B, seguidor da orientação chinesa.

O movimento comunista no Brasil

Com apoio da Rússia, de Cuba, da China e, até, da Albânia, os nossos “socialistas” tentaram implantar no território nacional a Ditadura do Proletariado. A Intentona Comunista de 1935 continua viva e atual, e nossos revolucionários nunca esqueceram o fracasso e a lição. Com a ascensão de Jânio Quadros e João Goulart; com a corrupção grassando em todas as esferas do poder público, criaram as ligas camponesas, de Francisco Julião e do prefeito de Recife, Sr. Miguel Arraes; o Grupo dos Onze, de Leonel Brizola; e o movimento dos marinheiros, do almirante Aragão. Chegaram mesmo a admitir que já possuíam o poder, de fato, restando, apenas, assumir o poder legal. Eram contra o presidente Jânio Quadros, mas passaram a apoiá-lo quando este reconheceu o regime de Cuba. Seu maior apoio era ao presidente João Goulart, que apoiava e contribuía financeiramente para os diversos movimentos sociais de esquerda. A certeza que em breve estariam no poder fez nascer a vaidade e rivalidade entre os militantes, a exemplo do que ocorreu entre os bolcheviques e mencheviques, após a revolução russa. Cada grupo buscava ocupar seu espaço político, o que foi fatal para as suas pretensões de chegada ao poder, na aceitação da sociedade civil e no enfrentamento ao golpe militar que se avizinhava.

Em 31 de março de 1964, após a realização da “Marcha da família, com Deus e pela liberdade” organizada pelo movimento Tradição, Família e Prosperidade – TFP, as forças armadas, pressionadas pela sociedade civil, igreja, empresários e imprensa, decidiram agir e dar um basta no caos político e social que se avizinhava. Uma das razões para a iniciativa dos militares foram as atividades de grupos militares que apoiavam os movimentos comunistas, a exemplo do que ocorreu na Intentona Comunista de 1935.

Vendo-se impossibilitados de assumir o poder pela via pacífica, nossos “socialistas” decidiram partir para o terrorismo (atentado a bomba no aeroporto dos Guararapes), assaltos a bancos (vários), seqüestros (de embaixadores e cônsules), execuções de militares estrangeiros, e para a luta armada. Em 1966 iniciaram a montagem de uma área liberada, na região de Xambioá, no sul do Pará e, em 1969 já possuíam uma base de guerrilha na localidade de Monçuaba, em Angra dos Reis/RJ.

Em 1979, o presidente João Batista de Figueiredo sancionou a Lei da Anistia, permitindo o retorno dos asilados políticos e o gozo de seus direitos políticos. Iniciava-se, assim, a transição do regime militar para o regime civil, com a eleição de prefeitos e governadores, culminando, em 1984 com a eleição do Sr. Tancredo Neves, para a presidência da República.

Em 2002, com apoio popular, das organizações de esquerda e políticos aproveitadores, ascende ao poder da República o Sr. Luis Inácio Lula da Silva. Sua missão é governar com forte apoio popular, com isso preparando o caminho do país rumo ao socialismo, sem a possibilidade de resistência. Para dar condições aos seus objetivos elabora um plano de governo baseado no assistencialismo; coloca seus aliados em postos chave do governo; corrompe os poderes públicos; enfraquece as forças armadas; cadastra os detentores de armas de fogo; faz parcerias com grupos de esquerda de outros países latino americanos; organiza uma frente ampla de esquerda nas Américas – o Foro de São Paulo e, por último, apóia e financia, abertamente, seu braço armado – o MST.

Conclusão

Para os que viveram o período 61/64 é fácil perceber a semelhança do que está acontecendo no país com os fatos passados. Hoje já se fala, abertamente na liberação das drogas e do aborto, assim como na liberdade de escolha na opção sexual. A televisão prima por divulgar programas e cenas que contribuem para a desagregação familiar e a mídia divulga em letras garrafais notícias sobre drogas, violência, criminalidade, corrupção, adultério e luxúria.

As manobras políticas para desacreditar as instituições continuam a pleno vapor e nenhum cidadão estranha mais os inúmeros escândalos ocorridos nos diversos poderes da União, dos Estados e dos municípios. Assim como foram criadas as Ligas Camponesas e o Grupo dos Onze, para dar suporte à revolução, também agora nossos socialistas criaram, apóiam e financiam, com dinheiro do contribuinte, o Movimento dos Trabalhadores sem Terra – MST e as organizações a ele ligados. Para se ter uma idéia, o MST recebeu do governo federal R$160.000.000,00 (cento e sessenta milhões de reais), o que representa a metade do que receberá o Exército Brasileiro para suas despesas com instrução, pessoal, equipamentos e alimentação no ano de 2010.

No período pré-64, os socialistas se infiltraram nas forças armadas, corromperam e insubordinaram-se, buscando criar divisão entre seus integrante, mas não contavam com a fidelidade de seus oficiais e as atividades de inteligência. Agora seu objetivo é desintegrar as Forças Armadas, achatando-lhe os salários e gerando descontentamento de oficiais e praças, o que tem causado a evasão de seus melhores quadros; reduzindo as verbas para adestramento e até para a alimentação de seus integrantes e; por último, sucateando os equipamentos militares que, em uma situação de necessidade, não terão eficácia.

Ao cidadão de bem, mesmo que não tenha intenção de participar da vida partidária do país, deve buscar conhecer cada candidato, seu passado e sua ideologia. Não deve acreditar em suas promessas, mas naquilo que anteriormente construiu, pois este será o seu legado para o cargo que almeja. E, a exemplo do que vem acontecendo ao longo do tempo, jamais trocar o seu voto, por assistencialismo pois este, um dia terá que cessar.

O que o Brasil necessita é emprego e dignidade, onde o trabalhador possa conquistar um bem com o fruto de seu trabalho.

Pensamento de Adrian Rogers, escrito em 1931.

"É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade. Por cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber. O governo não pode dar para alguém aquilo que não tira de outro alguém. Quando metade da população entende a idéia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação.

É impossível multiplicar riqueza dividindo-a."

Jorge Heleno de Araújo é militar da reserva do Corpo de Fuzileiros Navais, Pedagogo e auditor de segurança, e presidente da ONG Movimento Nacional pela Segurança nas Cidades – MNSC (www.segurancanascidades.com.br)
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