quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Prefeito cobrará do Estado PMs em unidades de saúde.

Depois de uma hora reunido com médicos e representantes da Guarda Municipal e da Polícia Militar, o prefeito Nelsinho Trad disse que vai cobrar à Secretaria de Segurança Pública do Estado a instalação de postos fixos da PM nas 2 Unidades de Pronto Atendimento de Saúde, da Vila Almeida e do bairro Coronel Antonino.


Segundo ele, o Ministério da Saúde determina a presença de policiais militares nesses prédios, regra desrespeitada em Campo Grande. “Vou cobrar do governo, para que seja cumprida essa determinação do Ministério”, reforçou o prefeito ao sair da reunião nesta manhã, na UPA Via Almeida.

O mesmo procedimento será adotado em relação a futuras inaugurações, como da Unidade de Pronto Atendimento do Universitário e outra nas Moreninhas.
Nelsinho também disse que irá dobrar o número de Guardas Municipais, de 2 para 4, nos postos de saúde da Capital.

A Guarda Municipal já contratou 500 servidores até 31 de dezembro, e outros 200 serão chamados para reforçar a segurança, informou o prefeito.

A intenção e providenciar essas mudanças até o Carnaval, que começa no dia 12, época em que aumenta a procura em unidades de saúde.

Sobre maior efetivo de médicos, Nelsinho garante que também irá investir, mas não informa número, nem prazo.

“Vamos chamar até o ultimo aprovado no concurso de 2009 e depois convocar mais, sem necessidade de concurso”, explicou o prefeito.

Sobre a quantidade, Nelsinho diz apenas que vai contratar “quanto for necessário”.

Ele justifica, dizendo que a Secretaria de Saúde ainda fará um levantamento para detectar qual a situação em Campo Grande e quantos profissionais é preciso convocar.

Lotação - A certeza de mais guardas, mas a indefinição sobre reforço em médicos, desagrada pacientes que na manhã de hoje aguardam atendimento na UPA lotada da Vila Almeida.

A doméstica Iraci Ciscat Lourenço, de 43 anos, reclama das “prioridades” definidas pelo Município. “Aqui não tem preso, não adianta mais Polícia. Tem de aumentar número de médicos”, protesta.

Com dores pelo corpo e a suspeita de dengue, ela reclama que desde às 5 horas tenta atendimento em unidades de saúde. Depois de ter consulta negada na Vila Nasser, onde mora, Iraci relata que resolveu procurar a UPA, mas até às 10h30 ainda não havia sido atendida.

“A informação é de que está muito cheio e não tem nem previsão para atender”, conta.

Sobre a invasão na última quinta-feira, ela defende a população.“Entendo as pessoas, que as vezes olham o filho ou a mãe passando mal, sem atendimento. Isso cria tensão”.

A também doméstica Vanessa da Silva Pereira, 29 anos, lembra que a UPA “tem coisas boas, mas também ruins”.

Outra a sentir dor de cabeça e mal estar, ela pede que sejam mais claros os critérios para quem “fura a fila”. “Sei que emergência é prioridade, mas não vemos critério para passar na frente. Qualquer um chega e vai entrando”, reclama.

Longe dos postos - O presidente do Sindicato dos Médicos de Campo Grande, João Batista, também participou da reunião nesta segunda-feira e contesta a decisão de apenas reforçar o policiamento na unidade.

"Vai chegar uma hora em que o paciente estará sozinho com o médico dentro da sala, e aí?”, questiona.

Ele garante que, apesar de não ter números, vários profissionais deixaram de atender em postos por falta de segurança.

“Além do salário mais baixo que os da rede hospital, isso afasta o médico dos postos de saúde”, justifica.

Segundo ele, no dia da confusão na Vila Almeida, apenas 4 médicos trabalhavam no local, enquanto o certo seria o dobro.

Para amenizar a tensão entre profissionais e a população, João Batista anuncia que o sindicato vai reeditar campanha lançada há 2 anos. Irá espalhar cartazes pelos postos lembrando da importância do médico.
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